Número de novos doadores de medula óssea reduz 90%


Para se ter uma ideia, em 2020, no auge da pandemia da covid-19, o número de novos cadastros de mato-grossenses no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) foi de 1.958 doadores

O número de cadastros de novos doadores de medula óssea em Mato Grosso cai 90% entre 2016 e 2022, passando de 8.740 no auge das campanhas, para 866 no ano passado. Entre os motivos estão a nova regra estabelecida pelo Ministério da Saúde que reduziu de 55 anos para 35 anos a idade máxima para novos doadores e o preconceito por falta de conhecimento dos procedimentos adotados no transplante. Atualmente, 201 pessoas aguardam por transplante de medula no Estado.

 

Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que, desde 2015, o ano passado teve o menor percentual de novos cadastros, impacto direto da Portaria n.º 685, de 16 de junho de 2021, que alterou a idade dos doadores. Entre 2021 e 2022, a redução foi de 55%, saindo de 1.747 para 866. Mas os números já vinham em queda desde 2017. 

 

Para se ter uma ideia, em 2020, no auge da pandemia da covid-19, o número de novos cadastros de mato-grossenses no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) foi de 1.958 doadores. Mato Grosso, atualmente, conta com 69.416 doadores cadastrados no Redome.

 

Adriana Penha Oliveira, responsável técnica pelo banco de medula óssea em Mato Grosso, explica que para a alteração na idade foi levado em consideração o fato de que, atualmente, 80% dos doadores têm até 40 anos. Além disso, levou-se em conta evidências científicas que demonstram que o transplante de medula óssea tende a ter um melhor resultado quando o doador é mais jovem. Então, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) tem optado pela qualidade das células e não pela quantidade de oferta de cadastrados.

 

Outra queda drástica foi no número de amostras liberadas para laboratórios autorizados pelo Inca. Para Mato Grosso, o número de exames era de 10 mil por ano e agora é 1.140.

 

De acordo com Adriana, a redução não impactou no número de exames realizados porque, o número máximo chegou a cerca de 3 mil amostras. A redução no número de exames veio junto com a portaria que limitou a faixa etária para doares. A justificativa para a redução foi de que é preciso investir no aumento no número de leitos.